segunda-feira, 3 de março de 2008

Crash, Babel e Polaróides Urbanas


O filme Polaróides Urbanas é, no mínimo, inovador. Sem dúvidas, segue a mesma linha dos filmes Crash – No Limite e Babel.



O filme nos traz as histórias de uma mulher frustrada com seu casamento e sua vida, uma terapeuta com uma filha desequilibrada, uma atriz com síndrome do pânico, uma “perua” que viaja pelo mundo com o marido e uma mulher que dedica sua vida a ajudar possíveis suicidas em potencial. Ao longo da trama, suas histórias vão se entrelaçando através de situações e/ou personagens.


Escrito e dirigido por Miguel Falabella, Polaróides Urbanas conquista extremidades: há que o odeie, há quem o ame. Isso acontece porque o filme leva dentro de si um forte drama e uma boa comédia.


Quem viu o trailer de Polaróides se sentirá um tanto enganado, pois, na propaganda, parece-nos que o filme é uma ótima comédia. No entanto, as únicas partes efetivamente engraçadas são justamente as que aparecem no trailer. Fora elas, há algumas risadinhas e drama, drama, drama...


Miguel Falabella criou esse filme a partir da peça Como Encher Um Biquíni Selvagem, também de sua própria autoria, e que levou um milhão de pessoas aos teatros.


No entanto, apesar de o filme não ser grande coisa, Falabella teve uma boa estréia como diretor de cinema. Não é à toa que o filme já faturou três Lentes de Cristal no Festival de Cinema Brasileiro de Miami: Melhor roteiro (Falabella), Melhor Atriz (Marília Pêra) e Melhor Filme (eleito pelo Júri Popular).


Concordo com todas as premiações. Se Polaróides faturasse Melhor Filme (que acabou sendo levado por Proibido Proibir, de Jorge Durán) , não estaria certo. No entanto, o Júri Popular que o elegeu, e aí tudo bem. O filme realmente é feito para atingir as massas, não é à toa que há diversos gêneros dentro do mesmo filme. Isso pode dar muito certo ou muito errado, como foi o caso do filme 1408, que não teve praticamente lucro nenhum. Felizmente, a tática parece ter funcionado com Polaróides Urbanas.


Miguel Falabella tem futuro como diretor. Ele está no caminho certo, com certeza, pois fazer um filme com várias histórias não é fácil. Marília Pêra e Arlete Salles estavam maravilhosas. É uma pena que Marcos Caruso e Otávio Augusto, ambos mestres em atuação, tenham aparecido tão pouco.


Em todo o caso, vale à pena assistir a Polaróides. É mais um filme brasileiro com uma boa produção, ótima direção e... bem, se é um bom filme, vocês que sabem.

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