domingo, 16 de novembro de 2008

Mês de Novembro - Nas Locadoras

Confira os filmes que chegam em DVD às locadoras no mês de novembro.




A partir do dia 17/11 – A Caçada
Simon (Richard Gere) é um jornalista que, ao lado do câmera Duck (Terrence Howard), já realizou grandes coberturas de guerra. Após testemunhar um massacre na Bósnia, Simon briga com sua emissora e desaparece. Anos depois Duck retorna ao país e lá é contactado por Simon, que possui pistas sobre o paradeiro do Raposa (Ljubomir Kerekes), o pior criminoso de guerra local e que tem uma recompensa de US$ 5 milhões por sua captura. Confundidos com agentes da CIA e agindo contra as ordens da ONU, Duck e Simon decidem partir em sua procura. Dirigido por Richard Shepard.


A partir do dia 19/11Múmia – A Tumba do Imperador Dragão

A franquia A Múmia dá uma mágica reviravolta em direção à Ásia. Brendan Fraser retorna como o explorador Rick O’Connell para combater o imperador Han, um épico que vai das catacumbas da China antiga até o topo gélido do Himalaia. Rick é auxiliado na aventura por seu filho Alex, sua esposa Evelyn e seu cunhado Jonathan. Desta vez, os O’Connell devem parar um ameaçador guerreiro que desperta de uma maldição de dois mil anos. Com Jet Li. Dirigido por Rob Cohen.


A partir do dia 19/11 – O Reino Proibido
Um adolescente americano obcecado pelos filmes de kung fu faz uma extraordinária descoberta em uma pequena loja de penhores em Chinatown: o lendário bastão de monge, a arma perdida do sábio guerreiro, o Rei Macaco. Com a relíquia em mãos, o adolescente é inesperadamente levado ao incrível reino proibido. E na companhia dos mais poderosos guerreiros, segue na perigosa missão para libertar o Rei Macaco e devolver a harmonia ao povo da Montanha dos Cinco Elementos. Com Jet Li, Michael Angarano e Jackie Chan. Dirigido por Rob Minkoff.


A partir do dia 20/11 – O Banheiro do Papa
1998, cidade de Melo, na fronteira entre o Brasil e o Uruguai. O local está agitado, devido à visita em breve do Papa. Milhares de pessoas virão à cidade, o que anima a população local, que vê o evento como uma oportunidade para vender comida, bebida, bandeirinhas de papel, souvenires, medalhas comemorativas e os mais diversos badulaques. Beto (César Trancoso), um contrabandista, decide criar o Banheiro do Papa, onde as pessoas poderão se aliviar durante o evento. Mas para torná-lo realidade ele terá que realizar longas e arriscadas viagens até a fronteira, além de enfrentar sua esposa Carmen (Virginia Mendez) e o descontentamente de Silvia (Virginia Ruiz), sua filha, que sonha em ser radialista. Dirigido por César Charlone e Enrique Fernández.


A partir do dia 21/11 – Kung Fu Panda
O irreverente e preguiçoso panda chamado Po é o único capaz de salvar o Vale da Paz do vilão Tai Lung, um poseroso leopardo das neves. Com os ensinamentos de Shifu, Pó se torna um grande mestre do Kung Fu, à semelhança do Mestre Macaco, um exímio guerreiro que é tudo que o panda quer ser. Animação da Dreamworks, com as vozes de Jack Black, Dustin Hoffman, Angelina Jolie, Jackie Chan e Lucy Liu. Na versão em português, Juliana Paes e Lúcio Mauro Filho emprestam suas vozes. Dirigido por Mark Osborne e John Stevenson.


A parir do dia 26/11 – O Procurado
Wesley Gibson é um jovem de 25 anos de idade que não vê muito sentido na vida após o misterioso assassinato do pai. Tudo muda quando Wes conhece Fox (Angelina Jolie), uma mulher enigmática e sedutora que o contrata para uma sociedade secreta chamada de Fraternidade. O objetivo de Fox é treinar Wes para que ele se torne um assassino da Fraternidade, mas também se vingue da morte do pai. Aos poucos, no entanto, o rapaz vai descobrindo que o perigo está mais perto do que os olhos podem ver. Com James McAvoy e Morgan Freeman. Dirigido por Timur Bekmambetov. Para ler a crítica desse filme, clique aqui: http://doidosporcinema.blogspot.com/2008/08/o-procurado.html

sábado, 15 de novembro de 2008

Vicky Cristina Barcelona


Woody Allen volta às telas de cinema com Vicky Cristina Barcelona, escrito e dirigido pelo famoso cineasta. O filme carrega o humor afiado e o estilo único de Allen, além de contar com um ótimo elenco, composto por Scarlett Johansson, Rebecca Hall, Penélope Cruz e Javier Bardem.

A comédia romântica conta a história de duas amigas, Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) que decidem passar o verão em – boviamente – Barcelona. Lá, conhecem o misterioso e sedutor pintor Juan Antonio (Bardem), cujo divórcio com a ex-esposa (Penélope Cruz) causou fofocas por toda a cidade devido às circunstâncias em que ocorreu: Juan Antonio sofreu uma tentativa de assassinato por parte da ex-esposa, Maria Elena. Juan Antonio propõe a Vicky e Cristina que passem o final de semana com ele em uma cidade próxima, Oviedo. Vicky, uma mulher sensata e noiva, recusa imediatamente, mas Cristina, que está sempre à procura do significado de amor e de uma nova paixão, aceita. As duas rumam, então, para o final de semana em Oviedo, que mudaria suas vidas.

Apesar de o novo filme de Woody Allen ser engraçado, gostoso de se assistir, e de passar uma mensagem legal ao espectador, o diretor e roteirista pecou em alguns aspectos. O personagem de Javier Bardem, apesar de bem interpretado pelo ator vencedor do Oscar, apresenta grande incoerências: pode-se perceber que ele começa o filme tendo um certo caráter, que muda ao longo da história. Woody Allen também poderia ter tratado Barcelona de uma forma, pois, apesar de ser o cenário do filme, ele a mostra com um olhar de turista.

Porém, os pontos positivos superam os negativos. O filme é atual, com situações e personagens que poderiam ser reais. Woody Allen aborda os aspectos da atualidade e aposta em um público contemporâneo e mais liberal, que possa aceitar o que é mostrado na obra. Se Vicky Cristina Barcelona tivesse sido lançado há uns dez anos, o público provavelmente ficaria escandalizado pelo perfil liberal da personagem de Scarlett Johansson. Isso é um ponto forte em Woody Allen: apesar de sua idade avançada, ele não se apegou às tradições de sua época e soube lidar e se adaptar a uma sociedade mais moderna, que aos poucos está se modificando e aceitando aspectos que antes não eram aceitos.

Vale à pena dar um destaque especial para Penélope Cruz, que é, de longe, quem tem a melhor personagem e quem melhor atou no filme.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

O Ensaio com leveza e profundidade


Após abrir o Festival de Cannes deste ano, o mais novo filme de Fernando Meirelles estréia no Brasil. Com um bom elenco e produção, o diretor apresenta a adaptação de uma das obras mais reverenciadas de José Saramago.

Ensaio Sobre a Cegueira” trouxe ao leitor – e traz agora ao espectador – a triste história de pessoas que foram infectadas por uma doença que se alastrou pela cidade. O sintoma? Uma cegueira branca, como leite. Assustado, o governo decide trancafiar os doentes em um manicômio abandonado, para que a cegueira não se espalhasse mais. Jogadas naquele lugar sem higiene e alimentação, as pessoas infectadas são obrigadas a viver como animais – ou pior.
Saramago faz, através de seu livro, uma forte crítica aos valores e ações da sociedade; críticas essas que Fernando Meirelles incorpora bem no filme.

Obviamente, o livro é muito mais intenso; mas é importante lembrar que o longa metragem é uma adaptação da obra, não uma reprodução idêntica. Li críticas por aí dizendo que Meirelles suavizou demais a história nas telas. Pergunto-me, então, se as pessoas que disseram isso ao menos leram o livro. O clássico escrito por Saramago é um dos mais fortes e impactantes que já li (e olha que já li uma quantidade considerável de livros); chegava a me sentir angustiada, nauseada, triste ao ler aquelas cenas horríveis, descritas por Saramago com uma maestria sem igual. Tenho certeza que, quando vistas em uma tela de cinema, tais sensações devem ser amplificadas. Confesso que fui assistir a Ensaio Sobre a Cegueira com um pouco de receio do que eu veria ali, pois não tinha certeza se conseguiria ver o que li. Senti-me extremamente aliviada e feliz com o jeito que Fernando Meirelles retratou o livro – de uma forma mais leve, sim, mas não menos profunda. Ele conseguiu transmitir as mensagens de Saramago sem que o público se sentisse angustiado (ou nauseado!) demais. E, mesmo assim, pessoas que não leram o livro de Saramago saíram da sessão comentando: “Gostei do filme... mas é muito forte!”.

Julianne Moore representa a esposa de um médico. Ela tenta acompanhar seu marido – que havia cegado – até o manicômio. Os policiais, no entanto, dizem a ela que somente os infectados podem entrar ali. Ela, então, decide mentir que contraiu a cegueira branca, para que pudesse acompanhar o marido. Conforme os dias passam no manicômio, o medo crescente de contrair a cegueira a invade, mas ela permanece imune. Dentre todos aqueles cegos, ela tinha o maior trunfo: sua visão estava intacta. O filme (assim como o livro) não dá explicações quanto à imunidade da mulher; fica ao encargo da interpretação de cada um.

Os personagens de Saramago – assim como no longa de Meirelles – não têm nomes. E, antes que as pessoas saiam reclamando por aí, é importante dizer a razão disso: na trama, as pessoas vivem como animais, perdem suas identidades dentro do manicômio. Ali, não são tratadas como gente; são vistas apenas como cegos contagiosos, um peso que assusta a sociedade mundial. Portanto, qual é a finalidade de dar nome ao personagens, se esses perderam suas identidades?

Não se sabe ao certo onde que se passa a história. Pode-se ver que a cidade do filme tem cenas de São Paulo: vemos o Viaduto do Chá, a Marginal Pinheiros, a Ponte Octávio Frias de Oliveira (que ainda estava em construção)... os policiais da cidade, no entanto, vestem uniformes americanos. As placas de ruas, as vitrines das lojas, os nomes das lanchonetes... tudo é em inglês. Há carros nacionais e importados andando para lá e para cá nas ruas... a razão da confusão? O próprio Saramago pediu para que não fosse possível saber onde a história acontece. Meirelles atendeu ao pedido de uma forma muito eficiente. Na minha opinião, a locação desconhecida reforça a crítica: ela é feita à sociedade mundial, não à nenhum município em particular.

Quanto às atuações, Julianne Moore e Gael García Bernal merecem destaque. Ela, como a mocinha. Ele, como o bandido. O restante do elenco – que conta com Mark Rufallo, Alice Braga e Danny Glover – também não deixa a desejar. É necessário mencionar também Don Mckellar, responsável pelo roteiro adaptado.

Apesar do que as outras críticas disseram, aqui vai meus sinceros parabéns a Fernando Meirelles e sua equipe.